Entendendo a situação do Ecoestádio

22/11/2012 17:30

Por Maurício Matsueda

 

O Ecoestádio Janguito Malucelli será, neste sábado (24), o palco da decisão que será disputada entre Atlético-PR e Paraná Clube. O jogo poderá definir o acesso do time rubro-negro para a Série A do Campeonato Brasileiro, como também poderá selar a permanência do Furacão, ao lado do Tricolor, na Série B na próxima temporada.


Muitos questionam a escolha, ou melhor, a permanência do Ecoestádio como casa do Atlético, como também não entendem como que o Janguito está liberado para receber jogos da Série B sendo que no regulamento está explicito que é necessário espaço para dez mil espectadores, mas em nenhum jogo foi liberada a venda dos dez mil ingressos. Para esclarecer essa questão, o Tiro de Canto conversou, via telefone, na manhã desta quinta-feira (22), com Reginaldo Cordeiro.


Reginaldo Cordeiro é membro da Comissão Nacional de Vistoria de Estádios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde 2009 e atualmente é Presidente da Comissão de Vistoria de Estádios da Federação Paranaense de Futebol (FPF).


Tiro de Canto: Reginaldo, como é calculada a capacidade do estádio?

Reginaldo Cordeiro: Tanto para a CBF quanto para a FPF, são utilizadas as normas da FIFA, ou seja, a medição é física e linear. Para a FIFA, o cálculo é de um espectador a cada 50 (cinquenta) centímetros, ou seja, para cada metro da arquibancada, serão contabilizados dois torcedores.

 

TdC: Mas e porque em alguns Estádios, como no Janguito, não são vendidos todos os ingressos? Pois em nenhum dos jogos o Atlético-PR colocou a venda os dez mil ingressos, que é a capacidade do Ecoestádio.

RC: Bem, a CBF/FPF faz a vistoria nas praças desportivas conforme a FIFA regulamenta, mas existe também a obrigatoriedade da entrega dos laudos técnicos e de segurança para a liberação de jogos nos estádios. No caso do Ecoestádio, a CBF aprovou a capacidade de dez mil espectadores para cada partida, mas como também é necessário o laudo do Corpo de Bombeiros e o cálculo deles é diferente do adotado pela CBF, às vezes a capacidade acaba sendo reduzida, como é o caso do Janguito.

 

TdC: Então a CBF faz a vistoria para capacidade da praça desportiva e esse público pode ser reduzido conforme instruções descritas nos laudos técnicos, isso?

RC: Exato. Diferentemente da CBF/FPF, o Corpo de Bombeiros faz o cálculo da capacidade por m², além de que o inicio da arquibancada tem que estar a no máximo 40 (quarenta) passos da saída, para que em eventuais emergências, todos possam evacuar o recinto em, no máximo, oito minutos. Ainda, o Corpo de Bombeiros deixa uma área para circulação, que em algumas situações, diminui ainda mais a capacidade. Por este motivo que o Ecoestádio tem a liberação da CBF para dez mil espectadores, mas pelo Corpo de Bombeiros a capacidade é de pouco mais de oito mil ingressos.

 

TdC: Mas e para o jogo deste sábado, por qual razão foi diminuído o numero de ingressos colocados a venda?  

RC: Para este jogo em especial, o limite de ingressos colocados à disposição dos torcedores foi estipulado pela Polícia Militar, que tomo esta atitude com o único intuito de diminuir os riscos de confronto (por se tratar de um clássico).

 

TdC: E sobre a questão das arquibancadas tubulares. Elas são proibidas, não?

RC: Até o momento em que o Brasil não era a sede da Copa do Mundo 2014, elas eram proibidas. Mas com a vinda do evento para o Brasil e por determinação da FIFA, fez-se necessária à liberação da instalação das arquibancadas tubulares no Estádio-Sede ou no Estádio-Auxiliar. Mas para a instalação das arquibancadas tubulares, houve a apresentação de três laudos: Laudo de Responsabilidade Técnica, que refere-se a capacidade de suportar peso; Laudo de Montagem, para a instalação das tubulares; Laudo de Acomodação do Solo, que foi emitido por um engenheiro de solo.
 

Com esse rápido bate-papo, o Tiro de Canto espera esclarecer às dúvidas dos torcedores, quanto à liberação do Ecoestádio, bem como também fazer com que o torcedor entenda que o motivo da redução da capacidade do Janguito para o clássico não foi determinado pela CBF/FPF e sim pela Polícia Militar, que é órgão de segurança responsável pela realização do jogo.

 

E deixamos o nosso agradecimento ao Reginaldo Cordeiro, que concedeu a entrevista e pela cordialidade. Também agradecemos a Tabata Viapiana, assessora de imprensa da Federação Paranaense de Futebol, que viabilizou a entrevista.

 

E você torcedor, concorda com a escolha do Ecoestádio? Ou preferiria ver o jogo em outro Estádio? Deixe o seu comentário